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Planejamento estratégico

O futuro é incerto, mas a falta de planejamento é uma certeza de que não terá futuro

Wilber Pereira Rocha Consultor especializado em finanças corporativas

O estado futuro de uma empresa é a visão maior para o negócio. É onde você quer estar, o seu objetivo de longo prazo em um ambiente de mudança constante e incerteza extrema.

Sem um estado futuro definido, uma empresa muitas vezes ficará sem direção, o que dificulta a tomada de decisões cruciais, causa desalinhamento entre os executivos e atrapalha o progresso e o cumprimento da missão. Porém, para que uma empresa defina e alcance esse estado futuro, ela deverá passar por uma série de exercícios, visando o mapeamento do seu estado atual e a definição das rotas que a levarão ao alvo estabelecido.

O olhar para o futuro exige maturidade organizacional, em que o conhecimento da própria realidade, frente às mais diversas tendências do mercado e a seus impactos, se torna essencial para determinar corretamente os caminhos, combinando custo-benefício e evolução.

Assim como disse Hugh Taggart, Global Crisis Chair na Edelman: "gerenciar crises não é mais domínio exclusivo dos comunicadores corporativos, o cenário exige que toda a empresa se comprometa com a criação de uma Cultura de Resiliência". Ou seja, definir caminhos sustentáveis para o cumprimento da missão de um negócio passou a exigir comprometimento de todos os stakeholders, a fim de mitigar os riscos iminentes e até mesmo aqueles ainda ocultos. Por este motivo, não existe sobrevivência para quem não se planeja: não é viável navegar em um mar sombrio, com ondas turbulentas e gigantes, sem uma bússola adequada e funcional, que neste caso estou chamando de planejamento.

A realidade é que vivemos num cenário de incerteza em todas as áreas de negócio, em que crises mundiais têm causado efeitos colaterais diversos, porém de fontes muitas vezes conhecidas ou até mesmo previsíveis, tais como violações cibernéticas, prevaricação financeira, práticas comerciais impróprias, corrupção política, falhas de segurança e desastres naturais ou causados pelo homem. Deste modo, o domínio dos processos e uma gestão eficaz dos recursos trazem ao negócio a capacidade de prevenir e mitigar os impactos de crises diversas, realidade que presenciamos em vários negócios que não sucumbiram à crise mundial do COVID.

Neste aspecto, a constante avaliação e revisão do planejamento, com vista na adequação das rotas, incluindo o aprendizado contínuo e a formulação flexível de respostas à medida que as situações evoluem, se torna essencial para o negócio.

Os cinco desafios que aparecem em toda crise

Vale acrescentar aqui os desafios enfrentados pelas organizações, os quais precisam ser evitados nos momentos de crise e incerteza:

  • Excesso de otimismo. Os gestores não acreditam no quão ruim a situação pode ficar, e a organização acaba planejando um cenário muito mais ameno.
  • Falta de credibilidade informacional. A estratégia de negócios se baseia em suposições sobre um curso provável de eventos. Dados econômicos deficientes ou ausentes, cuja confiabilidade foi afetada pela velocidade e gravidade da mudança, podem tornar inatingível o cenário de planejamento tido como mais provável.
  • Falta de segurança para definir ações. Além da instabilidade das informações, os líderes também devem estar atentos à possibilidade de que as informações consideradas claras e certas sejam falsas. O modelo operacional deve ser capaz de absorver as respostas erradas iniciais e substituí-las rapidamente.
  • Letargia na tomada de decisão. Informações falsas podem fazer com que os gestores atrasem decisões enquanto buscam mais rigor analítico. Os gestores devem, em vez disso, agir de acordo com o que sabem e adaptar a estratégia à medida que novas informações se tornam disponíveis.
  • Esgotamento organizacional. As organizações geralmente demoram muito para voltar suas atividades ao normal. Isso expõe gestores e equipes ao risco de exaustão diante de mudanças constantes e sem fim, podendo prejudicar a saúde mental e física dos colaboradores.

O papel do conselho consultivo

Neste cenário, a utilização de um conselho consultivo com membros capacitados e experimentados em diversas situações contribui bastante para estabelecer blindagens ao negócio e criar novas rotas, baseadas em práticas anteriores que deram certo e até mesmo naquelas que fracassaram, mas geraram aprendizado.

Claro que esse conselho precisa estar muito bem estruturado e atuar considerando fatores como o reconhecimento das individualidades e do poder da diversidade, a capacidade de dar e receber feedbacks, a construção de confiança, que acontece quando os membros são transparentes e abertos, a disposição dos conselheiros em abandonar o orgulho, a arrogância e o medo, inclusive de sacrificar o próprio ego em função do bem coletivo, a adoção da empatia e do tratamento digno como princípio ético, e o trabalho em colegiado, que requer prática e habilidade. Todos esses fatores, considerando sempre que se trata de uma construção.

Assim sendo, os conselhos que orientam a atividade corporativa, seja deliberando ou recomendando, se tornam pilares essenciais de sustentação e apoio nas mais diversas situações, e contribuem para garantir que a governança corporativa acompanhe o ritmo, influenciando a empresa a adaptar seu planejamento com vistas no aproveitamento das novas oportunidades que os cenários de incerteza apresentam.

O que o planejamento entrega, na prática

Em resumo, o planejamento é essencial para a sobrevivência das empresas em cenários de incerteza, fornecendo direção, foco, adaptabilidade e resiliência para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que surgem, através do envolvimento de todos os agentes do negócio, tratando questões como:

  • Antecipação de mudanças. Em ambientes de incerteza, as condições do mercado podem mudar rapidamente. Um planejamento bem elaborado permite que as empresas antecipem essas mudanças e se adaptem de forma proativa, em vez de reagir de forma tardia e desorganizada.
  • Alinhamento de recursos. Com um plano estratégico claro, as empresas podem alocar recursos de forma eficiente e eficaz. Isso inclui capital, talentos humanos, tempo e tecnologia. Ao direcionar esses recursos para as áreas certas, maximizam as chances de sucesso mesmo em meio à incerteza.
  • Identificação de oportunidades. Cenários de incerteza muitas vezes trazem consigo novas oportunidades. Um planejamento detalhado permite identificar e capitalizar essas oportunidades de forma rápida e decisiva, posicionando a empresa à frente da concorrência.
  • Gestão de riscos. Embora a incerteza traga oportunidades, também traz riscos. Um aprofundamento nos processos e clareza quanto aos riscos e seus impactos permitem que as empresas mitiguem vulnerabilidades e se protejam contra potenciais ameaças ao negócio.
  • Manutenção do foco e da direção. Em tempos de incerteza, é fácil se perder em meio a mudanças e distrações constantes. Um conselho consultivo estruturado e capacitado fornece um farol para a empresa, mantendo-a focada nos objetivos de longo prazo e na direção que deseja seguir, independentemente das turbulências externas.
  • Resiliência organizacional. As empresas que de verdade elaboram e praticam seu planejamento estratégico estão em melhores condições e mais preparadas para enfrentar crises e desafios inesperados. Elas desenvolvem uma cultura de resiliência organizacional, capaz de se adaptar e se recuperar rapidamente de contratempos, garantindo assim sua sobrevivência em cenários adversos.

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